Faz me tanta impressão ver pessoas terem as suas vidas quando olho para dentro dos seus carros. Andar de carro é como uma viagem de conhecimento cósmico, vimos com quem se dão pelos passageiros que transportam, ouvimos que estilo de música ou musica é que gostam mais, vemos a sua capacidade económica pelos carros que conduzem, pelo o seu estado podemos saber se são cuidadosos ou desajeitados, se procuram algo prático para facilitar uma vida complicada ou se só estão preocupados consigo mesmos e com o seu conforto, vimos se estão bem ou mal, se têm pressa ou simplesmente tentam desanuviar.
Vemos tanto sobre as pessoas que passam por nós que no meu caso não consigo deixar de imaginar pequenos filmes com elas. Personagens de uma biografia da qual imaginamos como foi o seu dia, para quem chegam quando vão para casa, como quem se dão, se têm filhos, se têm vontade de fugir deste mundo, se choram todos os dias porque não aguentam, se são fortes e tentam aproveitar a vida ao máximo, qual é o seu signo, se são vegetarianos ou vegans, se têm uma cidade de sonho, se são casados, se são divorciados, se têm doenças terminais, com quem fazem sexo, se ainda são virgens ou não, se são gays ou heteros, se gostam do corpo que têm, se mudariam de vida se o pudessem, o que fazem da vida, se têm musicas que despertam algo dentro delas, se têm histórias escondidas que não querem que ninguém saiba, se sonham quando dormem, se sonham por algo, se fumam, se bebem, se consomem drogas, se gostariam de ser internados, se gostariam de viver no campo, se gostavam de viver em outro pais, se são de esquerda, de direita ou mesmo dos verdes, se tomam remédios, se, se , se existe tanto por onde imaginar que não se sabe se até podem ser reais.
Vejo-as como pequenos fragmentos de todo o mundo que passa ao nosso lado e nos rodeia, que cada vez que olhamos pela a janela e podemos presenciar a vida de outro que nos pode ser próximo no futuro ou simplesmente um estranho, podemos saborear um pouco da nossa diversidade, das possibilidades da nossa própria vida e principalmente do facto de que para essas pessoas não passamos de pequenos fragmentos da sua vida.
Tão depressa somos algo para uns e poeira para outros.
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